David Cronenberg

David Cronenberg nasceu a 15 de Março de 1943, em Toronto, no Canadá. Filho de um jornalista e de uma pianista, licenciou-se em literatura na Universidade de Toronto, embora tenha começado o seu percurso académico na área de Ciências.

Ganhou experiência como realizador, ao trabalhar para a televisão canadiana CBC, para a qual realizou diversos filmes e séries como Teleplay, Peep Show ou Programme X.  

A incursão de Cronenberg no cinema aconteceu no final dos anos sessenta, com a realização de dois filmes experimentais: Stereo e Crimes of The Future (sendo esta última a sua primeira película a cores).  

No filme Shivers de 1975, introduziu os elementos que, mais tarde, definiriam a sua forma de estar na sétima arte. O fascínio pela fragilidade do corpo humano e pela sua mutabilidade, a atracção pelo papel da Ciência na transformação do corpo, da mente e da própria estrutura da sociedade são aspectos que acompanham a sua filmografia e, com os quais, o realizador se destaca na forma de levar os tormentos da condição humana ao grande ecrã.
As películas Rabid, The Brood, Scanners, Videodrome, The Dead Zone e The Fly confirmam a obsessão, a audácia e a inteligência na arte de filmar o horror e de o cruzar com a ficção científica. O impacto do filme The Fly foi tal que, em 2008, Howard Shore (compositor da banda sonora de muitos dos filmes de Cronenberg) pôs em cena uma ópera inspirada na película.
 
Esta trajectória culmina com o filme Dead Ringers de 1988. Três anos depois, David Cronenberg cai nas boas graças da crítica com Naked Lunch, a adaptação que fez da controversa obra homónima de William Burroughs, autor por quem o realizador afirma sentir uma profunda admiração e afinidade.

Em 1993, realiza Mr. Butterfly, a adaptação da peça de David Henry Hwang que marca uma viragem no seu estilo e comprova sua a versatilidade na forma como encara o cinema.  Três anos mais tarde, realiza Crash, um filme inspirado no clássico de J.D. Ballard e considerado como uma das obras mais polémicas de Cronenberg. A proeza foi reconhecida em Cannes com o Prémio Especial do Júri.

O regresso ao argumento original aconteceu em 1999 com o filme eXistenZ. Já a denotar uma certa inclinação para o mainstream, David Croenenberg voltou a ser bem acolhido junto da crítica e recebeu o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim.  
 
Em 2002, voltou ao activo com Spider, uma longa-metragem feita a partir do romance The Grotesque de Patrick McGrath. Muitos consideraram-na como a menos “cronenbergiana” da sua filmografia, outros reconheceram-lhe o mérito, tendo sido galardoado com os prémios Director Guild of Canada e o Genie Award.

Em History of Violence, de 2005, Cronenberg alargou a sua visão ao estilo mais clássico e contou a história de um drama familiar adaptado de uma novela de banda desenhada da autoria de John Wagner e Vince Locke. Com Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris e William Hurt, o filme confirmou a versatilidade do realizador que já havia conquistado a legitimidade de viajar do underground ao mainstream sem pudor ou complexos. Com esta obra, ganhou o prémio de Melhor Realizador dos British Independent Film Awards.            
Em 2007, David Cronenberg realizou Eastern Promises, novamente com Viggo Mortensen e, também, com Naomi Watts e Vincent Cassel. O fascínio pela natureza humana (e a violência como parte intrínseca da sua condição) voltou a ser a base estruturante do argumento premiado com o People´s Choice Awards no Festival Internacional de Cinema de Toronto.  Ambos estes filmes foram ainda galardoados com o prémio César para Melhor Filme Estrangeiro.

Um Método Perigos, o seu ultimo projecto antes de Cosmopolis, foi selecionado para o Festival de Cinema de Veneza. Protagonizado por Keira Knightley, Michael Fassbender e Viggo Mortensen, o filme recebeu críticas elogiosas por parte da crítica especializada.